Lição de cidadania vs. lição de compadrio

Posted: 2011/01/26 in Notícias

in Anabela Magalhães (o meu blogue sou eu… mas eu não sou o meu blogue…) – 25.Jan’11

Acabo de escutar a ministra Isabel Alçada pronunciando-se, entre outras coisas, e com um desconforto visível, sobre como é triste ver a manipulação daqueles pais relativamente aos seus filhos, irmanados numa luta legítima.
Já o deixei mais do que espalhado neste blogue – não se mudam regras a meio do jogo, o Estado tem de ser uma Entidade de Bem e isto é tão válido para o Público como para o Privado.
Ai as crianças, que perigo, como ficarão traumatizadas perante o exemplo exemplar de Cidadania Responsável ao lutarem lado a lado com os seus pais, erguendo os braços e a voz, actuando, reagindo perante alterações que, do meu ponto de vista, não se fazem assim, num desprezo absoluto por projectos, instituições e pessoas que as povoam.
O Estado tem de ser metido nos eixos, tem de voltar aos seus carris, tem de recuperar credibilidade… mas a gente olha, olha, olha à volta… e não pode deixar de sentir calafrios… pois não é que vi e ouvi o Mário Nogueira a defender exactamente a mesma posição da ministra?
Porca Miséria! Assim não vamos lá.

Comentários
  1. Francisca Dias diz:

    Deixo aqui a resposta escrita por um colega,

    Resposta às declarações à comunicação social da Senhora Ministra da Educação em 19.01.2011

    A Senhora Ministra da Educação, hoje, 19 de Janeiro de 2011, e na comunicação social, muito chocada, veio acenar com o “papão”e “assustar” a consciência ética dos portugueses, considerando, com um ar paternalista, ar que lhe começa a ser habitual, irresponsáveis as escolas públicas não estatais que colocam “crianças” (termo que lhe convém) na rua a lutar por causas que compete às direcções das escolas defender.
    Senhora Ministra, irresponsável, e sem ofensa (ofendidos estamos nós), talvez seja Vª Exª e por diversas razões:
    1. Querer retirar a essas “crianças” e aos seus pais a possibilidade de escolherem a escola que pretendem para a sua educação.
    2. Querer pôr-lhes, com um “choradinho impressionista e sentimental”, uma “mordaça” na boca e impedir, porque lhe é incómodo, que se manifestem e esclareçam a opinião pública da justeza das suas pretensões.
    3. Querer continuar a espalhar inverdades na opinião pública, afirmando constantemente que as tais escolas que “colocam crianças nas ruas” não podem ser beneficiadas, no seu financiamento, relativamente às escolas estatais, esquecendo-se de dizer, por lapso de memória, que lhes fez cortes brutais e incomportáveis para a maioria delas e que lhes vai atribuir montantes aluno/ano bem inferiores aos das escolas estatais. Uma mentira, dita muitas vezes, nem sempre se transforma em verdade!
    4. Não ser capaz de dizer que estas escolas “colocam crianças nas ruas” porque Vª. Exª fez “tábua rasa” das sugestões dos legítimos representantes das direcções das mesmas e, vá-se lá saber porquê, habilidosamente pretende eliminá-las da rede pública escolar. Agora não quer que os pais andem revoltados, que as “crianças” andem revoltadas, que todas as comunidades educativas andem revoltadas e desassossegadas e que manifestem publicamente a sua preocupação e a sua revolta.
    5. Não ser capaz de dizer que a existência destas escolas é essencial para a vida democrática do país, e são a única oportunidade de, em igualdade de circunstâncias, possibilitar aos pais, todos eles contribuintes, uma escolha livre de uma escola não estatal. Não é capaz de dizer, igualmente, que estas “crianças” se manifestam nas ruas porque querem defender a liberdade e a democracia no sistema de ensino português.
    6. Não ser capaz de dizer que, com as medidas que tomou o seu ministério e a teimosia que vem revelando em alterá-las, colocou um problema grave à estabilidade destas escolas, provocou a alteração do ambiente escolar a meio de um ano lectivo, mexeu enormemente com a paz e concentração dos alunos e desviou a atenção do corpo docente e não docente daquilo que é essencial no desempenho da sua função.
    7. Não ser capaz de dizer, igualmente, que será Vª Exª a responsável se isto vier a ter reflexos negativos no sucesso escolar dos alunos. Deixamos isto à consciência de V.ª Exª e do seu ministério, que se fartam de falar e ainda bem, em estabilidade das comunidades educativas e do sucesso escolar dos alunos, e que agora, pelos vistos, esqueceram as boas intenções.
    Senhora Ministra, resolva rapidamente este problema que criou e que está nas suas mãos resolvê-lo (se não está, demita-se) e verá V.ª Exª como as “crianças” não voltarão à rua e deixaremos todos, V.ª Exª e nós, de sermos “irresponsáveis”!
    João Teixeira – Professor de uma escola pública não estatal

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