“Sem liberdade não há qualidade” – Dr. Joaquim Azevedo

Posted: 2011/03/23 in Notícias

Dr. Joaquim Azevedo no uso da palavra - foto in didaxis.org

Joaquim Azevedo, Presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica, esteve na Didáxis, no passado dia 16, para dar seguimento ao Ciclo de Conferências subordinado ao tema “A Escolha da Escola”.

Licenciado em História e Doutorado em Ciências de Educação pela Universidade de Lisboa, foi Director Geral do Ministério da Educação (1988-1992), Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário (1992 e 1993). Actualmente é Presidente do Centro Regional do Porto da Universiadde católica Portuguesa e do Conselho de Administração da Fundação Manuel Leão, investigador, professor catedrático daquela Universidade e Director da Faculdade de Educação e Psicologia e autor de vários artigos sobre Educação.
A exposição deste conceituado especialista em Educação centrou-se em três grandes aspectos: família, escola e escolha da escola.
O preâmbulo serviu para clarificar a noção de Educação: “promoção do desenvolvimento” da pessoa. Joaquim Azevedo recorreu ao étimo da palavra “desenvolvimento” para explicar o conceito. “A criança é um novelo e precisa que os adultos – primeiro os pais e depois todas as instituições sociais – puxem os fios para que se desenvolva”, esclareceu.
Partindo deste pressuposto, o conferencista estabeleceu a diferença que existe entre Educação Familiar e Educação Escolar e insistiu na importância da primeira. “A sociedade tende a culpabilizar a escola pela falta de educação das crianças e jovens, esquecendo que o primeiro e principal agente educativo é a família, enquanto instituição maior da sociedade e que é insubstituível. As famílias tendem a descurar o seu papel e a exigir da escola que cumpra a tarefa que lhe é inerente”, considerou Joaquim Azevedo. E continuou: “à escola cabe instruir os alunos”.
Usando a metáfora da “passagem do tijolo” para se referir ao papel do professor, indicou que a missão da escola é transmitir aos mais novos a herança do passado. “A escola tem uma missão e só uma: transmitir saberes, conhecimentos, arte, desenvolver competências específicas destas áreas”.
“À escola não compete substituir-se à educação familiar, nem é capaz de o fazer. Mas pedem-lhe que o faça e o resultado só pode ser desastroso: perda de credibilidade perante a sociedade”, lamentou. E lamentou também que os pais não se empenhem mais na escolha da escola para os filhos. “Os pais procuram dar o melhor aos filhos, alimentação, higiene, saúde, mas, por vezes, não dão a verdadeira importância à Educação; ou então não podem dar porque a liberdade de escolher a escola está vedada”, considerou.
Quando se reporta à escolha da escola, Joaquim Azevedo não se refere à dicotomia estatal/privada, mas “simplesmente escolher a escola”. Por isso defendeu que todas as escolas – públicas estatais ou públicas privadas – deviam ter contratos de associação com o Estado e usufruir de autonomia para desenvolverem os seus projectos. Aos pais deveria caber escolher o melhor projecto para os filhos. “Só assim, haveria escolha e a escolha obrigaria as escolas à constante busca de qualidade”.
Joaquim de Azevedo receia que em pouco tempo tenhamos as ”escolas estatais a oferecer ocupação social e as escolas privadas a oferecer instrução”.

Escrito por: Isabel Castro

in didáxis – 22.Mar’11

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