Um abraço ao EIDH

Posted: 2016/05/08 in Notícias

4-correio-do-minho

O jornal regional bracarense, Correio do Minho, publicou um artigo de opinião sobre uma escola com contrato de associação na freguesia de Ruílhe – Braga.

Começo este texto com dois esclarecimentos. Primeiro, sou professor do ensino público e nunca exerci uma única hora letiva num estabelecimento particular e/ou cooperativo; segundo, nunca ocupei qualquer cargo de influência política e nunca recebi qualquer remuneração oriunda de partidos e/ou ligações políticas. 

Depois deste esclarecimento, quero expressar claramente a minha solidariedade a um estabelecimento de ensino, que frequentei como aluno, que está a passar por grandes dificuldades e, pior, por um ignominioso ataque ao trabalho desenvolvido pelos seus brilhantes profissionais. Refiro-me ao Externato Infante D. Henrique, situado em Ruílhe – Braga, que está a dois anos de comemorar meio século de existência, pois funciona desde 1968!

Tudo começou quando, há três semanas, foi publicado o Despacho Normativo 1H/2016, de 14 de abril, que regula o processo de matrículas para o próximo ano letivo. Nele ficámos a saber que o Externato Infante D. Henrique, uma escola cooperativa com contrato de associação, está impedido de inscrever alunos para os 5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade. Esta é uma escola cooperativa de serviço público de educação, que assegura um ensino gratuito aos seus alunos e presta uma colaboração próxima às famílias, porque recebe para esse efeito um financiamento do Estado. Não é, portanto, um colégio privado, como os ignorantes da ideologia afirmam.

Tenta criar-se na sociedade a ideia de que esta escola vive à custa do dinheiro dos contribuintes, que os seus profissionais são uns exploradores do Estado e que não existe espaço na sociedade para a sua existência. Uma escola com 48 anos! Quem o afirma demonstra má-fé, pouca formação moral e uma arrepiante ignorância, por vezes escondida numa ideologia, que ninguém sabe se existe nem quais os fundamentos! Estranho, aliás, que a escola se oriente por ideologias. Isso não acabou há 42 anos?

Vamos então aos factos: esta escola tem, atualmente, cerca de 1200 alunos, oriundos de freguesias que estão situadas nos limites de três concelhos (Braga, Barcelos e Famalicão). As freguesias a que me refiro (Arentim, Cunha, Ruílhe, Cambeses, Sequeade, Bastuço S. João, Bastuço S. Estêvão e Nine) distam da sede do concelho 10 a 13 Km. Quer isto dizer que a escola mais próxima destas freguesias, com oferta de Ensino Secundário, é o Externato Infante D. Henrique.

A maior parte das famílias destas localidades não têm transporte próprio, não têm transportes públicos regulares, vive do seu trabalho árduo e diário, mas paga impostos como os outros portugueses, logo, também têm direito a uma escola de qualidade para os seus educandos.

Esta escola é das poucas, nesta região, que tem um projeto educativo bem vincado, bem claro, bem envolvente. Esta escola é das poucas, nesta região, que desenvolve nos seus profissionais, nos seus alunos, nas famílias, na comunidade onde está inserida, um sentido de pertença, um sentido de dedicação, um sentido de orgulho, porque todos são agregados em torno do mesmo projeto.

Os profissionais desta escola desenvolvem um trabalho de grande mérito com os alunos e com as famílias, sempre com uma dedicação inexcedível, uma entrega à causa pública que admira, que devia servir de exemplo às outras escolas da região.

Os críticos desta escola escondem-se atrás de uma ideologia que ninguém sabe qual é, que ninguém sabe se existe sequer, e afirmam que devemos privilegiar a escola pública, encerrando as que praticam um serviço de qualidade e de mérito na comunidade educativa.

Que ideologia é esta que tenta colocar pais contra pais, professores contra professores, alunos contra alunos, escolas contra escolas? Isto não é ideologia, isto é guerrilha!

Que ideologia é esta que está contra as escolas não-governamentais? Só em Cuba, na Gâmbia e na Líbia é que as escolas não-governamentais são proibidas. Mas, nestes três países, atualmente há ideologia?

Que ideologia é esta que não se importa que alunos de 6.º ano, crianças de 10 e 11 anos, sejam transferidos compulsivamente para outras escolas, contra a sua vontade, contra a vontade dos seus pais? Que ideologia é esta que corta um processo de crescimento, de formação de ciclos, quando a escolaridade obrigatória é atualmente de 18 anos e/ou o 12.º ano?

Esta escola não está situada no centro de qualquer cidade, não é um colégio de meninos ricos, situa-se no limite do concelho de Braga e nos limites dos concelhos de Barcelos e Famalicão; é uma zona de gente humilde, honesta e trabalhadora. Se encerrarem esta escola, impedirão muitos de prosseguirem os seus estudos.

Por uma questão de interesse público não hesito: defendo o Externato Infante D. Henrique. Ponto!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s