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Um artigo de Paulo Barradas no Expresso – 24.maio’16

Finalmente um governo (quase)eleito democraticamente sabe o que é melhor para o povo e não se coíbe de tomar as decisões certas, ideologicamente corretas e orgulhosamente paternalistas. Por isso quem está contra o governo só pode estar contra o povo.

Mas o conceito democrático está de tal forma instalado na sociedade portuguesa, que até um governo de esquerda, apoiado maioritariamente pelas esquerdas, não hesita em beneficiar os mais ricos em detrimento dos mais pobres.

Em 6 meses de governação, o aumento significativo de impostos indirectos que não dependem do nível de rendimentos auferidos, nomeadamente sobre o combustível e a compra de automóvel, ampliou a injustiça fiscal.

Os mais pobres que ainda conseguem comprar automóveis e teimam em conduzi-los, pagam o mesmo que os mais ricos, mas com maior esforço relativo do seu limitado orçamento familiar.

O governo protector do povo aconselha os mais pobres a deixarem-se de luxos e a não comprarem carro e a utilizarem os transportes públicos, para pouparem o dinheiro extra que lhes impõe pagar. Justificando o aumento de impostos amigos do povo com a tentativa de encurralar os mais ricos na estrada luxuosa para pagarem a crise. Pois a austeridade já virou a página.

Continuando a implementação das suas políticas de esquerda, o governo defende a sua liberdade de escolha decidindo o melhor pelo povo, para o povo. E a sua melhor escolha é pela escola pública para os mais pobres, deixando os colégios privados só para os mais ricos, que podem pagar pela sua educação.

Acabando a comparticipação do Estado em turmas de colégios privados através dos agora tão prejudiciais contratos de associação, os mais pobres deixam de poder escolher entre escola pública e escola privada porque o Governo já decidiu por eles. Pois se há escola pública, qual é a necessidade de os mais pobres frequentarem a escola privada? Aparentemente nenhuma, de acordo com o governo.

O que diria a oposição de esquerda se fosse um governo de direita a decidir e implementar esta medida que aumenta a injustiça social e decide por decreto a escolha dos mais pobres sobre a educação dos seus filhos?

Diriam certamente que pagar por uma educação no ensino privado é mais um imposto indirecto injusto sobre os mais pobres.

O governo decide alegremente pelo povo, retirando a liberdade de escolha dos mais pobres. Pois os mais ricos ainda podem pagar para manter essa mesma liberdade. Enquanto houver iniciativa privada em Portugal. Até serem todos pobres e todos iguais… a depender do Estado e dos sucessivos governos.

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O presidente da Associação do Ensino Particular e Cooperativo acusa o Governo de fazer “tábua rasa” dos contratos que tinha assinado com as escolas privadas, em entrevista à Rádio Renascença, na terça-feira à noite. Segundo Rodrigo Queiroz e Melo, a associação tem sentido maior resistência nas negociações devido à presença de uma “ideologia de extrema-esquerda” no Governo.

“Nunca tivemos esta dificuldade de avançar na complementaridade com o Partido Socialista”, afirmou, apontando culpas ao BE e PCP.

Existe na maioria parlamentar “a noção de que uma escola uniforme controlada laboralmente tem um peso, e que uma intervenção política de uma escola livre e controlada pelas comunidades não tem”, defendeu. Por isso, considera que o que está realmente em causa é “uma visão de um serviço educativo ao serviço de uma ideologia política e não ao serviço dos alunos”.

Quanto aos contratos da associação, o presidente da Associação do Ensino Particular e Cooperativo diz que estes tentam dar a pessoas “que não tinham acesso ao ensino de qualidade” uma possibilidade de passarem a o passaram a ter.

Rodrigo Queiroz e Melo revelou ainda que já recorreu à intermediação de Marcelo Rebelo de Sousa. Este terá se mostrado compreensivo com o problema das escolas com contrato de associação.

In Expresso – 04.maio’16